Medo de escolher errado: porque decidir pode ser tão angustiante

Para muitas mulheres, decidir não é apenas escolher entre opções. É lidar com a sensação de que qualquer escolha envolve perda, risco e responsabilidade.

O medo de escolher errado costuma aparecer não como dúvida pontual, mas como angústia persistente. Uma dificuldade em se comprometer com uma decisão, mesmo quando o desejo já foi identificado.

Decidir passa a ser vivido como ameaça, não como possibilidade.

Quando escolher parece perigoso

Existe a fantasia de que seria possível escolher sem perder nada. Como se a escolha certa fosse aquela capaz de preservar todas as possibilidades abertas, evitar frustrações e garantir que nada dê errado.

Na prática, nenhuma escolha funciona assim.

Toda decisão implica abrir mão de algo, renunciar a caminhos possíveis e aceitar consequências que não podem ser totalmente previstas. O medo surge justamente diante dessa falta de garantias.

A angústia diante da falta de certeza

A angústia não aparece porque a pessoa não sabe o que quer. Muitas vezes, ela aparece justamente quando algo já faz sentido, mas não há como assegurar que dará certo.

Escolher exige aceitar limites. Limites do próprio controle, da realidade e do futuro. Para muitas mulheres, esse encontro com o limite é vivido com muita tensão.

A busca por certeza funciona, então, como tentativa de aliviar essa angústia.

Quando a ambivalência paralisa

É comum sentir ambivalência diante de escolhas importantes. Querer e não querer ao mesmo tempo. Desejar algo e, ao mesmo tempo, temer suas consequências.

A ambivalência em si não é um problema. Ela faz parte de qualquer processo decisório honesto. O problema surge quando a ambivalência é interpretada como sinal de erro.

Nesse momento, decidir parece arriscado demais e a paralisia surge como solução provisória.

Adiar como forma de proteção

Adiar uma decisão pode funcionar como tentativa de se proteger do erro. Enquanto não se escolhe, mantém-se a ilusão de controle e de possibilidade infinita.

Mas o adiamento prolongado costuma ter um custo alto. Ele gera desgaste, ansiedade constante e a sensação de estar presa em uma espera que não se resolve.

Mesmo sem decidir, a vida segue produzindo efeitos.

O peso da responsabilidade

Escolher envolve assumir responsabilidade pelas próprias decisões. Isso significa abrir mão da fantasia de que alguém ou algo externo poderia garantir o resultado.

Para muitas mulheres, a responsabilidade é confundida com culpa ou exigência de perfeição. Como se escolher implicasse nunca errar.

Essa confusão torna o ato de decidir ainda mais pesado.

Quando o medo de errar impede o movimento

O medo de escolher errado não protege de erros. Ele apenas impede o movimento. E, sem movimento, a vida tende a se estreitar.

Escolher não elimina a possibilidade de frustração, mas não escolher mantém a angústia ativa. Sustentar essa tensão exige mais energia do que muitas decisões em si.

Reconhecer isso já é um passo importante.

A psicoterapia como espaço para sustentar a escolha

A psicoterapia pode ser um espaço para pensar a angústia de decidir sem pressa de eliminá-la. Um lugar para compreender o que está sendo evitado, quais fantasias estão em jogo e quais perdas estão sendo temidas.

Nem sempre o trabalho é reduzir o medo, mas aprender a escolhê-lo junto com a decisão. Escolher apesar da falta de garantias.

Decidir não é eliminar o risco. É assumir uma posição diante dele.

Medo de escolher errado: porque decidir pode ser tão angustiante